Por ser menina

por | jan 19, 2022 | Estudos e publicações | 0 Comentários

N os últimos anos, o mundo vem calibrando suas lentes para observar as especificidades vivenciadas pelas meninas, uma camada populacional que carrega em si os marcadores etários, de gênero, étnicoracial, de classe e outros que apontam para uma maior exposição às vulnerabilidades sociais e econômicas, além de representarem a população que sofrerá mais com o impacto das mudanças climáticas no mundo (PLAN INTERNATIONAL, 2021). O Brasil é especialmente desafiador para as entidades que atuam na salvaguarda desse público, pois experimentamos um contexto preocupante de retrocessos que impactam diretamente suas vidas. Enquanto nos compromissos da Agenda 2030 assumimos metas relativas à igualdade de gênero, à melhoria da qualidade da educação e da saúde, e a própria erradicação da pobreza, vemos que os governos vêm reduzindo investimentos nessas áreas de forma sistemática, desde 2015. O V Relatório Luz da Sociedade Civil da Agenda 2030 (GTSC A2030, 2021) revelou que mesmo antes da pandemia, 33% das mulheres negras brasileiras já se encontravam na faixa da pobreza extrema. No que tange os investimentos públicos para a promoção da igualdade de gênero no país, temos que entre 2015 e 2020, os recursos executados pelas Políticas para Mulheres passaram de R$129 milhões para R$5 milhões; essa dura constatação revela a importância do monitoramento da realidade vivida pelas meninas, para que possamos compreender o impacto disso nos próximos anos. São as meninas de hoje que vão compor a sociedade de mulheres adultas de amanhã.
A pesquisa Por Ser Menina é uma oportunidade de ouvir essa população, tanto sobre como elas percebem o que é ser menina e viver este momento tão singular no país e no mundo (em plena pandemia de COVID-19), como também todas as dificuldades que o contexto lhes impõe (agravamento das violências domésticas, exposição a telas, aumento da carga de trabalho doméstico, etc.). Porém, mais do que isso, a pesquisa lança luz a aspectos primários e estruturais que representam barreiras que meninas de diferentes contextos e lugares do Brasil vêm sistematicamente experimentando em nossa sociedade, como machismo, racismo e outros, e que ao longo dos anos têm condicionado suas potencialidades e obstáculos.

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