
Novembro, demarcado o mês da Consciência Negra, relembra o que deve ser reforçado todos os dias, uma história de resistência e luta constante pela garantia de direitos e a preservação da cultura e ancestralidade. De lembrar e reafirmar laços, traços e hábitos que tornam o Brasil um território plural, diverso e rico.
Assim, é imprescindível não apenas garantir espaços e canais para instrumentos de difusão e prestígio à história e cultura negras – como filmes, livros, grupos e práticas, mas buscar caminhos para facilitar expandir o acesso a eles. Também é fundamental utilizar as ferramentas de fomento à cultura para representar a população da forma que ela é; no caso do Brasil, um território multiforme, de povo miscigenado e, por consequência, multicultural.
Com o olhar para o mês da Consciência Negra, alguns materiais cumprem com o resgate da história do povo negro no Brasil, bem como a relação do 21 de novembro com grandes lideranças do movimento no país. No Rolezinho desta semana, você confere dois filmes que dialogam com o Dia da Consciência Negra e uma manifestação cultural do Recife, que preserva a tradição da prática musical e religiosa.
Malês (2024)

A Revolta dos Malês se tornou um marco entre as batalhas de resistência à escravidão no Brasil e é recordada até os dias de hoje em diversos estudos e âmbitos culturais, como filmes, livros, obras de arte e até blocos carnavalescos. Obras como “Malês” reforçam a importância da história, cultura e memória do povo negro, assim como a articulação social em prol da busca por transformação e justiça. O filme está em cartaz nos cinemas.
Ganga Zumba (1963)

O longa-metragem, do diretor Cacá Diegues, se passa entre os séculos XVI e XVII e retrata a vida e memória de Ganga Zumba, primeiro líder do Quilombo dos Palmares.
Ele nasceu no Reino do Congo e foi trazido para o Brasil escravizado, no entanto conseguiu fugir e se tornou um importante líder militar e político na unificação de mocambos na resistência contra a escravidão. O líder comandou o maior quilombo do Brasil, situado na Serra da Barriga, na antiga Capitania de Pernambuco, território onde hoje se localiza o município de União dos Palmares, Zona da Mata do estado de Alagoas.
Ganga Zumba foi antecessor de Zumbi, famosa liderança negra no período colonial e cuja data de seu assassinato, 21 de novembro, motivou a demarcação do Dia da Consciência Negra.
O filme pode ser acessado no YouTube: Ganga Zumba (1963)
“O nome dela é Mestra Joana Cavalcante”

Manifestação cultural e ancestralidade compõem a produção “O nome dela é Mestra Joana Cavalcante”, do Alma Preta Jornalismo, produzida pelo repórter Victor Lacerda, com a captação audiovisual e edição de Débora Oliveira e identidade visual de Dora Lia. A obra apresenta caminhada da regente e mestra do Maracatu Nação Encanto do Pina, que também foi a primeira mulher a atingir o posto de Mestre de Maracatu, e retrata a trajetória pelo fortalecimento da ancestralidade e manutenção da história e identidade negra no bairro do Pina, Zona sul do Recife. A manifestação da cultura popular é importante meio de valorização de narrativas de mulheres e da população negra, além de ser símbolo de resistência no território.
A reportagem pode ser encontrada no canal no YouTube do Alma Preta.

