Texto: Camila Deschamps e Luana Farias

O mês de abril, momento de conscientização sobre a luta e a resistência dos povos indígenas, abre espaço para fortes discussões acerca da importância da manutenção e reconhecimento dos povos tradicionais em nosso país. O Brasil Indígena, sempre plural e numeroso, soma créditos contra o poder público a cada infração de direitos, invasão de terras e outras variadas violências que o acometem.
No decorrer do mês, o Dia Nacional da Educação, demarcado neste dia 28, é palco para a lembrança do quanto o conhecimento ancestral das populações que sempre habitaram o Brasil pode nos ensinar. Além da data, o Dia do Livro, celebrado em 23 de abril, nos evoca acerca das inúmeras possibilidades de expressão e difusão de conhecimento existentes.
A educação é parte essencial do desenvolvimento humano para a construção e compreensão pessoal e coletiva. Apesar de fundamental na formação cultural do Brasil (antes mesmo do país assim ser nomeado), as narrativas originárias do território nacional ainda não são verdadeiramente abordadas nas instituições escolares.
Garantida no registro legal brasileiro, desde 2008, com a Lei 11.465, a abordagem das temáticas na Rede de Ensino visa reconhecer a influência das manifestações dos povos indígenas nas raízes do país e, especialmente, como saberes em movimento na atualidade. O texto, que alterou a Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional (LDB – Lei 9.394/1996), abrange as escolas públicas e privadas de ensino fundamental e médio e todo o currículo de educação artística, literatura e história.
Após quase vinte anos da decisão, a prática segue negligenciada ou ainda controvérsia nas salas de aula, enfrentando também o desafio da formação adequada dos profissionais para tratar os temas.
Valorizar a disseminação histórica dos povos indígenas é caminho para o fortalecimento de identidades que lidam profundamente com tentativas sistêmicas de apagamento. O ensino de suas histórias nas escolas brasileiras desabrocha em um cenário de desatenção, mas a perspectiva dos povos enquanto autores e educadores de suas próprias histórias é potente.
“Ao escrever, dou conta da ancestralidade, do caminho de volta, do meu lugar no mundo”
Graça Graúna, Indígena potiguara, escritora, crítica literária, doutora em Letras pela UFPE e pós-doutora em Literatura, Educação e Direitos Indígenas pela UMESP.
Nessa direção, o Portal Afrontosas incentiva o acesso e valorização desses saberes com a indicação de escritoras e escritores indígenas.
Conheça autoras e autores indígenas brasileiros

Auritha Tabajara (Instagram: @ita.tabajara), contadora de histórias, poeta e escritora, é a primeira cordelista indígena de nosso país. Entre suas principais publicações, estão “Coração na aldeia, pés no mundo”, “A árvore do caju” e “Jurecê chorou na barriga de sua mãe”. A cearense conquistou o Prêmio Jabuti em 2024 e é convidada para rodas de conversa e momentos de contação de histórias em todo o país.
Foto: Arquivo pessoal

Eliane Potiguara (Instagram: @elianepotiguara) encontra caminhos ao entrelaçar a vivência pessoal e a formação acadêmica e, assim, toca debates e seminários sobre direitos indígenas. Além de professora e escritora, a fluminense fundou a rede Grumin de Mulheres Indígenas. Eliane é formada em Letras e Educação pela Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ). Sua obra mais recente é o livro “Conhori e as Icamiabas – Guerreiras da Amazônia”.
Foto: Juliana Lubini/Divulgação

A escritora, poeta e crítica literária Graça Graúna é Doutora em Letras pela Universidade Federal de Pernambuco (UFPE) e Pós-Doutora em Literatura, educação e Direitos Indígenas pela Universidade Metodista de São Paulo (Umesp). A potiguara escreveu o livro “Flor da Mata”, “Criaturas de Nãnderu” e tantos outros.
Foto: Íris Cruz

Givanildo Silva (Instagram: @givaescritor) é indígena fulni-ô e kariri, escritor, educomunicador, produtor cultural e articulador político-cultural. Atuante na defesa dos direitos humanos. Entre seus livros estão: “Terra de Sangue, Sangue na Terra” e “Minha Cumadi Fulôzinha” (@minha_cumadi_fulozinha), lançado em outubro de 2025, em João Pessoa (PB).
Foto: Divulgação

Daniel Munduruku (Instagram: @danielmundurukuoficial) é escritor e professor, nascido em Belém/PA. Graduado em Filosofia, História e Psicologia, sua escrita é majoritariamente voltada para o público infantil. Daniel foi escolhido pela Unesco para receber Menção Honrosa no Prêmio Literatura para crianças e jovens na questão da intolerância. Escreveu “Contos Indígenas Brasileiros” em 2005, “Crônicas Indígenas para rir e refletir na escola” em 2020 e muitos outros; possui 54 livros publicados em todo o mundo.
Foto: Divulgação

Ailton Krenak (Instagram: @_ailtonkrenak) é líder indígena, ambientalista, filósofo, poeta e escritor mineiro. Ele é membro da Academia Brasileira de Letras e fez publicações que discutem a sustentabilidade e a urgência da demarcação de terras, por exemplo. Entre suas principais obras, estão “Ideias para adiar o fim do mundo” e “Futuro Ancestral”.
Foto: Tânia Rêgo/Agência Brasil
“Que a leitura, portanto, seja também um caminho de reconexão com saberes ancestrais. Que possamos, através dela, fortalecer nossas humanidades e cultivar outras formas de convivência, onde caibam o cuidado, a diversidade e a dignidade”.
Giva Silva, via Instagram.

