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Em Marchas, vozes negras ecoam por reparação de direitos

| 26 de novembro de 2025

Na última quinta-feira, 20 de Novembro, a sociedade civil organizada ganhou as ruas de todo o país em demarcação ao Dia da Consciência Negra. No Recife, a Marcha da Consciência Negra teve como temática “Pelo fim da violência perpetuada pelo estado, por reparação e bem-viver”. A concentração ocorreu no Marco Zero, centro do Recife, e a caminhada seguiu até o monumento de Zumbi dos Palmares, no Pátio do Carmo.

Na capital pernambucana, o ato público foi organizado pela Articulação Negra de Pernambuco (Anepe) com a mobilização de organizações, movimentos, coletivos e sindicatos. O Cendhec se somou ao grito nas ruas e nos encontros de construção, representado pelas assistentes sociais Lorena Melo e Cristinalva Lemos, na contribuição com a análise de conjuntura e no debate sobre o mote da manifestação.  

Em preparação para o ato, as assistentes sociais do Centro ministraram uma oficina de cartazes na formação “Libélulas: mulheres protagonistas pela justiça climática”, nos dias 18 e 19. As alunas de comunidades do Ibura de Baixo e da Comunidade do Bode, no bairro do Pina, produziram materiais com frases e desenhos de fortalecimento em tecidos e papéis. 

As mulheres e meninas estiveram na Marcha fortalecendo a manifestação com protagonismo e resistência coletiva, reivindicando espaço na cidade e nas decisões para os seus territórios, políticas públicas efetivas, direitos essenciais e valorização de suas narrativas. 

Mulheres Negras 

Caminhando em enfrentamento ao racismo e ao sexismo, nesta terça-feira, 25, a Marcha das Mulheres Negras reuniu vozes de todo o país, em Brasília. Em sua segunda edição nacional, após dez anos do primeiro ato, o lema também negritou: “Por Reparação e Bem Viver”

A mobilização tem a sua história potencializada pelo movimento de mulheres negras das décadas de 1970 e 1980 e por marcos globais contra o racismo e o sexismo. Em 2025, a Marcha viveu um momento central na defesa da vida das mulheres negras e do povo negro, encentrando no debate nacional a reparação histórica e a construção coletiva da luta pelo direito à vida com dignidade e justiça.

Marco histórico, o ato contou com movimentos, iniciativas e organizações brasileiras para ecoar em uníssono os embates vividos por mulheres negras e as mudanças urgentes às quais reivindicam. No Brasil, essas populações estão na mira de desigualdades socioeconômicas e disparidades de gênero e raça, além de, historicamente, enfrentarem desafios para o acesso pleno a direitos essenciais à vida humana. 

Joelma Andrade, militante, coordenadora do Centro Comunitário Mário Andrade, no Ibura de Baixo, e aluna da formação “Libélulas”, esteve em Brasília para juntar-se à caminhada. Joelma enfatiza a temática central da agenda, refletindo sobre a realidade das mães nas periferias brasileiras: “Uma reparação para as comunidades, onde a gente possa criar os nossos filhos sem ter medo de serem mortos e botar nossa cabeça no travesseiro sem pensar que a gente vai estar sendo destruída”. 

A experiência na capital brasileira tem marcos importantes para ela, que prestigiou o lançamento do livro “Rosas da Resistência: trajetórias e aprendizados de mulheres negras não eleitas”, do Instituto Marielle Franco, que, entre as narrativas, conta sua história de luta com o Centro Comunitário. A obra reúne a força política e as trajetórias de mulheres negras que disputaram as eleições de 2024 e seguem atuando na transformação social, mesmo sem ocuparem cargos eletivos. 

Joelma ressalta a importância de estar em espaços de enfrentamento e de reconhecimento de sua caminhada. “Foi importante também pra mostrar, pra eu ver, a força que eu tenho, sabe, que eu não tô só nas coisas ruins que acontecem, mas também quando as mulheres se unem, o mundo estremece. E a gente estremeceu Brasília, viu? Pode ter certeza”

Realçando o significado da luta, a militante enfatiza: “A gente realmente deu o grito da gente, que a gente queria, que é a reparação e bem-viver. A luta é essa, é resistir, existir, incomodar e a gente deixou o nosso recado aqui em Brasília”

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